Série Jornalismo Literário por Matinas Suzuki: O New Journalism - Parte 4




Esta semana, na parte 4 e última da série "Jornalismo Literário por Matinas Suzuki", o jornalista fala sobre o New Journalism ou o Novo Jornalismo, que revolucionou a escrita jornalística nos anos 60.

Autores como Gay Talese e Tom Wolfe deram vida ao estilo que só foi possível, segundo Matinas, devido à época em que eclodiu.
Temas como a Guerra do Vietnã e o polêmico comportamento de Mohammed Ali permitiram uma proliferação de reportagens que rasgaram o verbo em toda sua literalidade, abusando de linguagens não tradicionais seja para os padrões jornalísticos, seja para os moldes da escrita literária como um todo. Veja um exemplo:

"Sinatra estava trabalhando em um filme que ele mesmo não gostava, ele mal podia esperar que acabasse. Ele estava cansado de toda publicidade em torno de seu namoro com Mia Farrow, de 20 anos, que não estava à vista esta noite, ele estava bravo que um documentário sobre a sua vida da CBS, a ser exibido em duas semanas, estava entrando demais em sua privacidade, até mesmo especulando sobre sua suposta amizade com os líderes da máfia; ele estava preocupado com sua apresentação de uma hora na NBC, com o show intitulado Sinatra – A Man and his Music, no qual iria cantar dezoito musicas com uma voz que, nesse momento, apenas a algumas noites da estréia, estava fraca e incerta. Sinatra estava doente. (…) Frank Sinatra está resfriado”.

No trecho acima, extraído do famoso perfil "Frank Sinatra está resfriado", escrito por Gay Talese em 1965, está uma das características clássicas do New Journalism, o ponto de vista da terceira pessoa, onde o jornalista narra a cena de acordo com a sua própria percepção e conclusões. Outros traços do gênero incluem: uso do diálogo, detalhamento do status de vida dos personagens da reportagem e a construção cena a cena da situação.
Aqui está o original em inglês do texto de Talese na íntegra, se você quiser conferir a versão completa.

Assista agora o vídeo completo de Matinas Suzuki explicando as origens do New Journalism, como se deu no mundo e no Brasil e no final, dicas de textos e livros para você ir completando a sua coleção.







E se você perdeu algum dos textos sobre jornalismo literário, com Matinas Suzuki", aqui está toda a série para você não perder a coleção completa:


Jornalismo Literário: Matinas Suzuki conta a história do gênero em série exclusiva para o BABEL.com


Série Jornalismo Literário por Matinas Suzuki: De 1850 até a virada do século 20 - A consolidação do gênero - Parte 2


Série Jornalismo Literário por Matinas Suzuki: A primeira metade do século 20 e as grandes publicações - Parte 3


Série Jornalismo Literário por Matinas Suzuki: O New Journalism - Parte 4






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FELIZ NATAL! FELIZ 2011!





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Sugestão de presente de Natal: 12 Meses Para Enriquecer te ensina a lidar bem com seu dinheiro sem fórmula mágica



Quer um presente de Natal que pode realmente fazer a diferença na vida de alguém, inclusive na sua? Já pensou em aprender a cuidar direitinho do seu dinheiro e conquistar todos os seus sonhos, dos pequenos aos de grande porte? Já ouviu falar de educação financeira? É tudo isso que abrange o livro 12 Meses Para Enriquecer - O Plano da Virada, do economista Marcos Silvestre, um tratado que ensina, passo-a-passo, a gerir melhor o que você ganha, sem precisar aumentar o seu recebimento e fazer caber dentro dele tudo o que você sonha adquirir.

O livro, lançado pela editora LUA DE PAPEL, está sendo vendido nas principais livrarias do país ou pela internet, não sai do ranking dos mais vendidos da revista Veja já há algumas semanas e é o presente perfeito para este Natal. 12 Meses Para Enriquecer não vai fazer você ganhar uma fortuna até a próxima vez em que Noel passar, mas vai te ensinar, de modo real e possível, a fazer gastos melhores, enxugar o desperdício, investir de forma segura de acordo com o que planeja obter e, principalmente, a fazer os juros trabalharem a seu favor. Em vez de pagar, você vai ganhar juros, o que se traduz em dim-dim a mais a para dentro e não fora do seu bolso.


Marcos Silvestre, autor de 12 Meses Para Enriquecer - O Plano da Virada

Ficou interessado? Que tal fazer um teste e se permitir aprender a lidar com o seu dinheiro de verdade? Marcos Silvestre é consultor financeiro e, ao longo de 20 anos de experiência, ensinando as pessoas a administrar o próprio dinheiro, desenvolveu a metodologia PROF®, Programa de Reeducação e Orientação Financeira, que trata de educação financeira feita sob medida para a realidade das famílias brasileiras. O economista também apresenta o “Na ponta do lápis”, na BandNews FM Rede Nacional, onde dá dicas de como você pode cuidar melhor do seu dinheiro em todas as situações da vida cotidiana, desde a compra do pãozinho de cada dia até o planejamento da casa própria.

Com linguagem acessível, exemplos e exercícios práticos, 12 Meses Para Enriquecer te ajuda a planejar suas compras, entender o vocabulário financeiro e, acima de tudo, a se dar conta, “na ponta do lápis”, de que sim é possível realizar aquele sonho de curto, médio ou longo prazo. O Babel já tem o seu exemplar e, testemunho real, as compras dessa época, que costumam causar um rombo no orçamento, já deram para muito mais este ano e minha perspectiva de como comprar também mudou radicalmente. E você já me conhece, se estou indicando é porque acredito no produto. Portanto, não perca mais tempo e venha você também a aprender a fazer investimentos, em vez de dívidas. E, se quiser entrar em contato direto com o autor para saber mais sobre o assunto, siga-o no Twitter.



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A encantadora de pássaros


Stevie diria: "Isn't she lovely?"


Eu cheguei até ela com as duas asinhas quebradas. E a vontade de voar era tanta que eu só pensava em me atirar de um penhasco, fosse para ganhar novas forças no voo, fosse para cair de vez, assim como Ismália, do alto da torre. Ela percebe de longe quem está com as asinhas quebradas, mas o coração gritando por vida. Esse é o seu business, tipo Mary Poppins ("feed the birds...").


Com o tempo, foi ganhando minha confiança. A mão generosa que se estendia era cálida e o meu coração respondia. "Psicodrama?", pensei, "Será que ela é terapeuta? Eu bem que precisava de terapia..." Não fazia a menor ideia do que fazia uma psicodramatista, mas aceitei o tratamento.


Não faltei a uma sessão, na verdade. Alguma coisa me dizia que eu precisava ir e ela lembrava que eu estava pagando caro por isso. "Aliás, vocês já estão preparando a sua independência financeira? E a alimentação de vocês? Vocês estão presentes e atentos o tempo todo? E o tempo, como é que estão administrando o seu tempo?" Ave! Que pessoa intrometida! Mas, por que ela se importa tanto? Who cares anyway? E as asinhas iam se enchendo de band-aid.


Eu tinha medo até de abrir a boca, porque ela punha o dedo na ferida sem dó. "Dói, professora, você sabia?", gritava dentro de mim. "Me deixa aqui quieta, eu só preciso tentar uma vez, se as asas não abrirem..."


Aí, ela me chamou de "amiga", só para começar a pedir "pequenos favores". E porque ela é mandona mesmo. Mestre, né? Quer dizer, doutora. Simbólico. "Letícia querida, você poderia fazer aquele um? Letícia querida, você poderia fazer aquele outro?" E a bobona atendia os pedidos feliz. Corria para o computador e até se esquecia dos membros falidos.


"Você poderia dar uma aula desse tema?" Aula na Cásper??? Claaaaro!!! A primeira de muitas. Com a asinha direita já reestabelecida, lá fui eu e preparei uma explanação sobre "mapas mentais". Ótimo!!! A parte mais bagunçada de mim teria que explicar como se organiza e se sistematiza a ela mesma por uma pessoa que caía no chão, em plena av. Paulista. Era o ápice da minha falta de equilíbrio nos seis sentidos.


Com uma asa rota e o creco em frangalhos, dei a dita aula, que deve ter sido a pior da minha vida. Eu nem conseguia enxergar o que eu mesma tinha escrito no PowerPoint. A cegueira dos olhos me sacudiu a alma, ali, descoberta. O jeito foi me atirar, não do prédio, mas nos braços dos "meus alunos", meus amigos queridos que participaram da aula com entusiasmo. Ela, inclusive, tomando notas. Uma amiga, depois, até comprou uma canetinha de quatro cores. "A canetinha do mindmap". Parei de cair na Paulista.

O fim do ano foi chegando e, proporcionalmente, aumentava a cumplicidade entre os novos amigos da classe. Comecei a confiar de verdade, a ser eu mesma. Disse para todo o mundo que minha única ambição era ser uma "moça boa", como se algum dia na vida eu tivesse sido uma "moça má". E, mais uma vez, outra amiga me salvou: "Ao contrário do que disse a Letícia, eu estou em um momento em que não tenho medo de errar". Pensei comigo: "você não sabe como eu fui cruel, mas obrigada por me lembrar que também sou humana."


Aí, pintou uma oportunidade de estreitarmos os laços mais ainda, a encantadora e eu. Eu disse: "Ai, tomara que dê certo", para uma combinação que pretendíamos fazer, ao que ela respondeu, profética: "Se tiver que ser, vai dar". Aliás, esse povo é chegado num profeta, é Moisés aqui, Elias ali, Ezequiel acolá... Tem até mulher: Sarah, Débora, Miriam... Jesus de Deus! Se eu não tivesse soltado a Sua mão, não teria quebrado as asas... E nem o orgulho, então devo agradecer.


O tempo passou. Fiquei triste que o "se tiver que ser" não foi. Não foi? Té parece! Fase 2 do tratamento: "Agora, ela vai estar sempre aqui conosco", disse a encantadora para outro pássaro que já sabe voar. E, naquela noite mágica, entendi tudo. Juro que pensei que em algum momento fosse encontrar um caldeirão, cheio de poções benfazejas. "Fada!", disse ela no outro dia, descobrindo já o título que teria este texto: Fada-madrinha.


Eu não sei se bruxa ou fada ou o que. Na verdade, é um je ne sais quoi que invade a nossa vida e não tem mais volta. De qualquer forma, agora tenho acesso privilegiado ao viveiro e ele tem janelas grandes e abertas para todos os lados. A gente pode voar e voltar quando quiser. Também é cheio de plantas e vida e ela desliza dançando, pelos quatro cantos.


Eu vejo Ísis, Afrodite, Ester, Maria e a própria Pacha-Mama. Eu vejo uma força que se resolve por si só e sai, maternalmente, em busca de asinhas quebradas. Apenas seguimos, sem saber o rumo, mas há um sopro divino em nossos ouvidos. Então, saltamos com fé.


Minha asinha esquerda ainda não está totalmente refeita. Mas, já consegue segurar o papel onde escrevi este texto. Desconfio que dentro em breve, vou poder cair de novo. Não no asfalto duro da Paulista, mas daquele precipício, livre e segura pelos ares.



"Todos esses que aí estão

Atravancando meu caminho

Eles passarão...

Eu, passarinho!" (Mário Quintana)



Para a minha professora, amiga e fada-madrinha Liana Gottlieb - the bird whisperer.







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Série Jornalismo Literário por Matinas Suzuki: A primeira metade do século 20 e as grandes publicações - Parte 3


"Hiroshima", "A Sangue Frio" e "Filme": leituras obrigatórias



Se você não está acompanhando a série "Jornalismo Literário por Matinas Suzuki" aqui no Babel, ainda há tempo de ler a parte 1 e a parte 2 e ficar por dentro do que é o jornalismo literário e como se consolidou ao longo dos anos.

O gênero, que se originou há mais de três séculos, não tem nada a ver com crítica ou resenha de obras literárias, escritas por famosos autores. O jornalismo literário é uma forma de jornalismo que narra acontecimentos factuais, portanto, verdadeiros, em uma linguagem e estilo muito próximos daqueles utilizados pela literatura em si.

O jornalista Matinas Suzuki Jr. é atualmente o responsável no Brasil pela curadoria e publicação das obras mais significativas do jornalismo literário mundial, através do projeto de mesmo nome lançado pela editora Companhia das Letras. Dessa forma, ninguém melhor do que o próprio Matinas para contar aos leitores do Babel o que é o gênero, com seus pormenores e detalhes curiosos dos livros e de seus autores.

Deu para ter uma noção do que trata essa série do BABEL.com? Então, siga adiante e assista a terceira parte da entrevista exclusiva com Matinas Suzuki sobre jornalismo literário. Neste capítulo, além de saber como o estilo foi se consolidando na primeira metade do século 20, você terá a oportunidade de conhecer alguns dos maiores títulos para formar a sua bibliografia essencial de narrativa de não-ficção. Vamos ao vídeo:





Na semana que vem: O New Journalism e o movimento que abalou as estruturas da escrita jornalística nos anos 60!




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Série Jornalismo Literário por Matinas Suzuki: De 1850 até a virada para o século 20 - A consolidação do gênero - Parte 2


Matinas Suzuki Jr. na segunda parte da entrevista sobre jornalismo literário para o BABEL.com



Na segunda parte da série "Jornalismo Literário por Matinas Suzuki", o jornalista discorre sobre o período que abrange a segunda metade do século 19 e a virada para o século 20, que consolidou o gênero e o tornou apreciado como forma jornalística com a influência do estilo literário.

A partir desse momento, a divulgação de informações baseada em fatos reais se transforma em amplas reportagens que demadam grandes quantidade de tempo e a presença in loco do profissional que agora é reconhecido como transmissor credível de eventos cuja verossimilhança se perpetuará ao longo da história.

Que obra, na opinião de Suzuki, é o grande marco que vem separar o jornalista literário do escritor? Veja abaixo no segundo vídeo da entrevista sobre jornalismo literário com Matinas Suzuki, do BABEL.com.





Se você perdeu a parte 1 desta série, leia o post completo com o vídeo aqui.

Semana que vem: fique de olho no terceiro post da série "Jornalismo Literário por Matinas Suzuki", do BABEL.com. Não perca!




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El Quijote 2.0 y YouTube: Proyecto une lo mejor del vídeo en internet con lo más grande de la literatura universal



"En un lugar de la Mancha, de cuyo nombre no quiero acordarme..." Así empieza la más grande obra de literatura de todos los tiempos, Don Quijote de la Mancha, de Miguel de Cervantes. Y ya que estamos celebrando lo literario por estos días en Babel, aquí está un proyecto que lo tiene todo para convertirse en un legado muy representativo del ingenio humano. La Real Academia Española (RAE) en asociación con YouTube ha abierto un proyecto para la lectura universal del Quijote en vídeo, con la participación de personas de todo el mundo.


La propuesta, intitulada Quijote 2.0, nació de la iniciativa del Instituto Cervantes que, a través de los años, ha realizado variadas formas de lectura del libro a viva voz, con la participación de multitudes involucradas en la propuesta. En 2010, ha decidido dar un paso hacia adelante para unir lo más moderno de la tecnología a aquellos que de hecho le dan vida al idioma español todos los días.





Para participar, los interesados deben enviar un vídeo en el que lean un fragmento del libro (algunos ejemplos aquí, aquí y aquí), así de simple. Sin embargo, se determinan algunas condiciones tanto técnicas como de estructura para que se acepte tu vídeo y puedas en definitiva tomar parte del proyecto. Puedes informarte en la página oficial del Quijote 2.0 en YouTube y darle marcha a tu granito de arena en el Quijote más grande del mundo.

¿Te animas?


Aquí se habla español

 

Quem sou eu

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Jornalista, paulistana, produtora de conteúdo em português, inglês, espanhol, italiano e francês, que encontrou na Web 2.0 o meio mais propício para se proliferar. Editora-chefe da MasterNewMedia Brasil, editora de conteúdo da MasterNewMedia Español e responsável integral pelo BABEL.com. Assessora de comunicação de Marcos Silvestre. Apaixonada por música, esta ariana morre de vontade de ganhar um Romero Britto bem grandão para pendurar na sala. Mas, na maior parte do tempo, sofre mesmo é de um amor incurável pela vida.

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