Giving

Pure cliché, but three things happened during the day today that have brought me to think of giving and the beauty in it. The human being is generous by nature: we love to give and that is a fact. However, the giving actions that have nurtured my soul on this very day have different stems, if I may say so, by themselves.

The first one has to do with friendship. Most of the times, we hardly ever notice the effect our actions have upon others. An insight, a deep feeling of "I need to do something here" that drives one into an attitude of sympathy towards their neighbor usually comes as sudden as it is promptly performed. You barely notice what you have just done and most of all: what it has brought about. Today I just had this kind of feedback from a friend who told me that that particular thing we had been after had finally been accomplished. The "we", in this case, means "she", pursuing her goals, and "I", backing her up with support. I "gave" her my prayers and hope, she "gave" herself her own efforts and somebody out there listened.


Then, talking to a different friend, I heard the happy news she's waiting for a baby. This friend, particularly, confessed she knows too little about pregnancy, that she had never really gathered information about it, she does not know what comes next, but I sensed a kind of happiness that is pure and real in her voice. And, then, I thought of the divine. How blessed is this gift that is going to turn her world upside down. How thrilling is the so-called miracle of life when it happens to you. How selfless is nature, playing its part in the giving. I'm sure my friend will cope with this new raving situation the best way as her spirit flows in rocking bliss.


Later on, I went out to buy bread, for an afternoon snack. I bought it for myself and then I decided to buy something else just for the sake of giving it away. I did it, and when I passed what I had bought from my hands onto the next person's hands, who made an expected nice comment about it, I understood it all. It is you, the one who raises the hand to actually give, who has the wildest trip, because your heart starts pounding, you seem to get warmer inside, your smile comes out more easily and you're suddenly on cloud nine. It's physical and as simple as cooking from a recipe.

I guess it doesn't generally take so many years for any of us to acknowledge the therapeutic benefits of giving. Actually, I believe that babies know it better than anybody else: just smile and mom will kiss you. But, as far as I'm concerned, I have decided to make it an everyday option, a conscious one, to pursue the goal of giving and, as I've this daredevil spirit, I've decided to give when it's the hardest. And, although it never matters what comes out of it, I have to confess: giving is heart-releasing and freeing. Giving is deliverance at a hand's distance.


We speak English here.

Beatles: 40 Anos Depois Do Fim - A Minha História Com Os Fab Four


Abbey Road, capa

O ano de 2010 marca o quadragésimo aniversário do fim da maior banda da Terra. Há exatamente 40 anos, os Beatles anunciavam que o sonho tinha acabado. E, ainda hoje, como naquela época, todos os dias um novo adolescente descobre a genialidade dos quatro garotos de Liverpool. Relato pessoal, no meu caso foi bem mais cedo.

Yo amo a los Bítles, diria a Mafalda, e devia ter uns três anos, no máximo, quando uma revelação me arrebatou para sempre. Sentada no tapete da sala da casa da minha avó, no bairro do Belenzinho, em São Paulo, brincava despercebida quando, de repente, uma canção na TV me pôs em transe. A memória clara daqueles segundos em que levantei a cabeça e fiquei olhando, com cara de boba, para o monitor, tem me acompanhado pela vida inteira. Começavam os primeiros acordes de Michelle e um fusquinha escuro parava diante de uma casa, em uma cena de novela. Podia ser da Globo, podia ser da extinta Tupi - aí é querer demais! - mas o quadro nítido continua perfeito ainda hoje. Lembro-me exatamente dos primeiros acordes e da voz do Paul McCartney nas primeiras palavras e aí já era tarde.
Somebody sang and I went into a dream.

Dizem as boas línguas que, antes disso, eu já saía pela casa cantando O Vira, inteirinha e, enquanto o gato preto cruzava a estrada, nascia a minha paixão por boa música e mascarados. A minha Beatlemania vem daí, mas representava muito mais do que isso. Naquele instante mágico, as duas características mais marcantes da minha personalidade tomavam forma: eu queria falar como aquele moço e ia ser dependente de música para o resto da vida
. Nascia o meu amor pelas línguas e a minha adoração sagrada pela mousikē.


Passeata de protesto liderada por atrizes em 68 - na foto: Eva Tudor, Tônia Carreiro, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengel (Foto: Ziraldo)

Mas, não bastava apenas curtir as músicas, eu precisava mergulhar naquele mundo, conhecer e entender tudo sobre aquela banda que diziam ser a melhor do mundo, eu precisava de uma roupa ácida multicolor across the ocean. Teria que esperar, então, comecei pelos discos. É, discos, vinil, bolachas quebráveis e guardadas em algum cofre secreto da minha vida. Por ironia, o primeiro disco dos Beatles que ganhei foi o último, o Abbey Road (o último gravado pela banda, mas lançado antes do Let it Be) e é para contar essa saga que começa este relato.

Eu tinha 11 anos e minha tia me deu dois discos dos Beatles de presente de aniversário: uma coletânea e o Abbey Road. A cabeça girou e lá fui eu, outra vez, para dentro do caleidoscópio. O engraçado é que, quando você quer muito alguma coisa, "o universo conspira a seu favor", diria Caetano, ou alguém mais ilustre, antes dele. E então, do nada, a Band, logo antes dos episódios do Agente 86 (e viva Mel Brooks!), passou a transmitir um programinha musical que sempre exibia uns quatro ou cinco clips dos Beatles, no final. Isso era religioso: tomava banho, almoçava e corria para a frente da TV, para assistir os dois programas, antes de ir para a escola. Os clips e a série já me davam uma boa
picture do que haviam sido aqueles revolucionários anos 60. E, assim, eu ia pela minha trip de cara limpa.


A coleção dos 13 álbums originais dos Beatles. Clique na imagem.

Aos 14, decidi, seriamente, completar a coleção. Não ganhava mesada e não dava para pedir grana o tempo todo para comprar disco. Na mesma época, fui chamada para dar aulas de monitoria na escola onde estudava inglês e ganhar um trocadinho com isso. Na verdade, desconto na mensalidade, mas, como era minha mãe que pagava e eu que trabalhava, ela não achou justo ficar com a graninha e repassava tudo para mim. Não era muita coisa, mal dava para comprar um disco, então comecei a dar aulas particulares de "absolutamente qualquer coisa" em casa. De inglês à matemática à alfabetização de adultos (e isso merece outro post gigante), o que aparecia, eu tascava.

E uma vez por mês, ia com o coração na boca, a uma mesma loja de discos, no Shopping Center Norte, comprar mais um LP.
Os long-plays eram comprados pela ordem cronológica. Como eu já tinha o último, ficava fácil, Please Please Me, With the Beatles e assim por diante. O vendedor já me reconhecia e até me dizia qual seria o próximo, no mês seguinte. Eu já sabia, pois naquele álbum de coletâneas, havia um encarte e foi olhando as capas dos discos que tive a ideia de montar a coleção. Ele até me ajudou uma vez, quando levei o dinheiro contadinho para comprar um disco, mas a inflação sabotou o meu planejamento e ficou faltando algo como R$2,00. Deixou que eu levasse o LP e disse para eu pagar no mês seguinte. Um mês depois, não quis aceitar o dinheiro. E assim passei o ano. Era 1987 e o Sgt. Pepper's cumpria duas décadas. A história deu uma mão gigante a minha vida de tiete-estudiosa-colecionadora.


Encarte e letras de músicas do Sgt. Pepper's

Chegou o fim do ano e faltavam dois álbums para completar a coleção. Explicando: são 13 álbums originais, tirando as coletâneas, bootlegs, etc. etc e, quando percebi, o ano já tinha acabado e ainda precisava comprar mais dois discos. Em 88, comecei o 2o. grau em escola nova, aí a atenção teve que se focar em outra coisa. Era época de pensar no que eu queria ser quando fosse gente grande. Eu já sabia, óbvio: jornalista para escrever uma biografia autorizada do velho Macá. Mas, o estudo me levou pelas mãos e, enquanto escutava os discos na minha vitrolinha do Mickey, estudava para o vestibular.


A faculdade veio e mais interesses desviaram minha atenção. Eu me correspondia com um garoto inglês, do norte da Inglaterra, já há alguns anos e não via a hora de conhecer o velho continente, a terra dos meus avós, aqueles outros países que tanto contribuíram para a história da humanidade, entre os quais, obviamente, a ilha britânica. Quase deixei por último,
last but not least.

Quando cheguei em Londres, no Eurostar, um flashback tomou conta dos meus sentidos. Enquanto o trem ganhava as paisagens nada exuberantes da campanha inglesa e singrava pelo meio das cidades, aquelas mesmas da Revolução Industrial, com casinhas geminadas, lado a lado, uma com a cara da outra, me lembrava de tudo o que tinha vivido até ali: aquele era, ao alcance da mão, o maior sonho da minha vida. Quando o trem finalmente chegou em Londres e pisei em solo inglês, a primeira coisa que fiz foi dar um telefonema pra casa: Mãe, eu tô em Londres! E as duas começaram a chorar.



A famosa faixa de pedestres na Abbey Road (Foto: FlickR)

Amei a cidade, do reconhecimento do que já tinha visto à distância até a visível sujeira do metrô, by the way. Conheci meu amigo, foi tudo mágico. Ia ficar poucos dias, então tive que acelerar: precisava conhecer o que desse, correr por tudo, andar de "táxi rabecão", ver a rainha, bowler hats (too much Mary Poppins!), London Tower, Hyde Park, Big Ben e... me esqueci da Abbey Road. Não, não tirei meus sapatos e atravessei a rua. Ainda. E era preciso fazer compras também, queria um pedacinho de tudo: jornal, roupa, perfume, provar a comida (eca!), tudo! Mas, tinha alguma coisa a mais para comprar... o que era mesmo?


Foi aí que a ficha caiu. Lá estava eu, no meio de Picadilly Circus, quando uma loja de CDs me saltou berrante aos olhos. Eu me lembro de ter entrado assoviando uma música dos fab four (enquanto tocava Duran Duran, na verdade) e parecia que aquele instante tinha sido reservado para mim. Alcancei os dois CDs que faltavam para a coleção - Magical Mystery Tour e Yellow Submarine (eu tinha desistido de seguir a ordem depois do Sgt. Pepper's) - e saí, carregando o meu tesouro na sacolinha. Não tinha planejado isso. Aliás, em algum lugar recôndito da minha memória, havia ficado marcado que ainda era preciso comprar dois álbums. Já tinha ido a várias lojas de CDs durante a viagem, tinha ido à Virgin Records, na Oxford Street, com o meu amigo, que era louco pela Madonna, e não havia me lembrado. Um dia antes de ir embora, o destino me prega essa peça e os dois CDs vieram comigo no avião, dentro da bolsa, junto com a carteira, o dinheiro e os documentos.


Hoje, a feliz proprietária de "toda a coleção dos discos dos Beatles", ainda tem alguma coisa para contar. Um estádio, um show numa cidade da América do Sul, e um papinho, falando como aquele moço, com aquele moço. Mas, isso fica para outra oportunidade, porque agora colorín colorado. Eu só espero que, realmente, daqui a 40 anos, 40 séculos e muitos milênios
to come, mais adolescentes de todas as idades sejam sugados por um caleidoscópio maluco e se permitam navegar no submarino amarelo.


And in the end, the love you take...


Aqui se fala português.
 

Quem sou eu

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Jornalista, paulistana, produtora de conteúdo em português, inglês, espanhol, italiano e francês, que encontrou na Web 2.0 o meio mais propício para se proliferar. Editora-chefe da MasterNewMedia Brasil, editora de conteúdo da MasterNewMedia Español e responsável integral pelo BABEL.com. Assessora de comunicação de Marcos Silvestre. Apaixonada por música, esta ariana morre de vontade de ganhar um Romero Britto bem grandão para pendurar na sala. Mas, na maior parte do tempo, sofre mesmo é de um amor incurável pela vida.

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