O Babel foi conferir um show da Easy Rockers no The Wall, na noite do dia 19, e fez uma entrevista especial com o vocalista. Por intermédio da fotógrafa Kica de Castro (tema do post de sábado que vem, não percam!), ficamos lá, umas duas horas, Kica, Dudé, Gilda e eu, batendo um papo maravilhoso sobre a vida. Sobre a vida? Sim, porque durante o dia, eu, você, a Kica e qualquer outra pessoa, enfrentamos uma série de aporrinhações que nos fazem sentir limitados diante da realidade do país. Se é pra falar de deficiência, eu prefiro abordar a social e as sérias injustiças de que é feito o duro cotidiano no Brasil. No entanto, aqui também habita um povo que não desiste nunca, como diz o proprio Dudé. Portanto, vamos à entrevista.
BABEL.com: Quem é o Dudé e quando você percebeu que iria viver só de música?
Dudé: É difícil me definir, mas eu diria que sou um cara batalhador, que corre atrás e não desiste nunca. Mesmo com 99% da humanidade contra, eu não ouço ninguém quanto aos rumos que tenho que tomar na vida.
A música sempre esteve presente. Quando era criança, meus pais permitiam que e a gente ligasse o aparelho de som só aos fins de semana, pois a semana era para os estudos. Aí, a gente acordava ao som de Sá & Guarabira, Milton Nascimento, que era o repertório das minhas três irmãs e eu já ouvia Led Zeppelin e os clássicos do rock. Em 85, no Rock'n'Rio, fiquei espantado com o Freddie Mercury fazendo aquela platéia enorme cantar Love of my life com ele, a capella, foi quando pensei: é isso o que eu quero fazer na vida. Um amigo meu estava montando uma banda e me chamou para tocar bateria...
B.com: E como você fazia?
D.: A gente amarrava as baquetas com silver tape em volta dos meus braços, ajustava a posição e eu tocava. Isso, com uns 16 anos. Com o tempo, meus braços começaram a ficar como de mulher, lisinhos (risos), aí eu me cansei e decidi assumir o vocal. A grande guinada foi quando eu entrei para a banda Cães Maltratados, aos 17. Começamos a tocar de noite, em barzinhos, de uma forma profissional. Segui a carreira até que, no ano passado, um amigo meu do Rio veio pra cá, tocamos juntos, por brincadeira, e assim nasceu a ER. Agora, temos o apoio da KISS FM, tocamos aqui no The Wall e tem muita coisa para acontecer esse ano. (isso é suspense...)
B.com: Você acha, de alguma maneira, que o que faz tem a ver com superação?
D.: Olha, eu acho que é rotina normal. Não fico nessa de pensar que estou me superando, nem gosto muito da palavra. Se o que eu estou fazendo serve pra passar uma mensagem legal para as pessoas, que bom. Mas não é nada intencional. Eu simplesmente ponho uma coisa na cabeça e corro atrás.
B.com: Não tem obstáculos, não é?
D.: Não.
D.: A gente se conheceu no centro de reabilitação para deficientes físicos. Eu estava preenchendo uma ficha e a garota que trabalhava lá insistia pra escrever no meu lugar, enquanto eu tentava explicar que eu podia escrever e pedia a caneta. Acabou que a funcionária foi se queixar do meu comportamento e a Kica me defendeu, contando o que realmente tinha acontecido. Mas, não foi aí que ficamos amigos. Um tempo depois, ela estava procurando modelos para a agência e, através de amigos em comum, me procurou e hoje faço parte do seu casting. Pra mim, é ótimo, ser modelo com 36 anos, é o máximo! De quebra, ela fotografa tudo o que rola com a banda e eu ajudo na agência. Ela é a minha madrinha.
Conforme fazíamos a entrevista, o pessoal da banda ia chegando, montando os instrumentos e começava a ensaiar. Nesse mesmo dia, tinham ficado prontas umas camisetas para o grupo e para os fãs, com o desenho de uma caveira no peito e outra personalizada na barra, de acordo com o membro da ER. A Kica também ganhou a sua, customizada.Fotos: Kica de Castro
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"You wanted the best, you got the best!"
Aqui se fala português




























































