Eleições 2008: a história de um povo que vota

Terça-feira, 19 de Agosto de 2008


Em 5 de outubro, o país vai às urnas, pela sétima vez após a reabertura democrática (1985, 1988, 1992, 1996, 2000, 2004 e agora em 2008), para eleger os representantes de suas cidades. Esta será a data do primeiro turno das eleições, o segundo, se necessário, está programado para 26 de novembro, apenas nos municípios com mais de 200.000 eleitores. Serão mais de 5500 localidades, elegendo cerca de 50.000 novos governantes, entre prefeitos e vereadores. Espera-se que 126.498.921 cidadãos (últimos dados do TSE, de setembro de 2007) compareçam nesse domingo, para fazer valer a sua vontade e escolher aqueles que irão responder pelo governo municipal, nos próximos quatro anos.

As funções do prefeito e do vereador

É responsabilidade da câmara municipal (vereadores) fiscalizar as decisões do poder executivo, representado pelo prefeito, e o vereador pode apresentar projetos de lei, de resolução, de decreto legislativo, além de indicações, requerimentos e moções. Já o prefeito tem funções políticas, executivas e administrativas. Suas funções políticas incluem lidar com a câmara, negociar convênios ou obter por outras formas benefícios ou auxílios para seu município. A lei lhe atribui a prática de uma série de atos de natureza política, como apresentar projetos de leis à câmara municipal, sancionar, promulgar, fazer publicar e vetar as leis, convocar extraordinariamente a câmara, quando necessário, e representar o município em todas as circunstâncias.

O voto brasileiro: um pouco de história

A história das eleições para prefeito no Brasil data dos tempos da colônia e até 1828, os pleitos para os governos municipais obedeceram às chamadas Ordenações do Reino, que eram as determinações legais emanadas do rei e adotadas em todas as regiões sob o domínio de Portugal. À época, votavam apenas os homens acima de 25 anos e com alto poder aquisitivo. Com a instituição da República, em 1889, estabeleceu-se que o presidente e vice-presidentes do Brasil seriam eleitos pelo povo, através da maioria absoluta dos votos.

Com a Revolução Constitucionalista de 1932, organiza-se o sistema eleitoral brasileiro, regulamentando as eleições federais, estaduais e municipais em todo o território nacional. Também estabelece os votos secreto e feminino e o sistema de representação proporcional, em dois turnos simultâneos.

O voto brasileiro esteve suspenso, no entanto, em algumas ocasiões. Em 10 de novembro de 1937, com a Constituição de 37, chamada de "A Polaca", Getúlio Vargas implanta o Estado Novo, no qual os direitos de sufrágio são adiados até 1945, quando é eleito Eurico Gaspar Dutra, após o golpe de estado que depõe Getúlio.

Com o início dos anos 60 e a inauguração de Brasília, os eleitores decidem novamente o futuro da nação e Jânio da Silva Quadros toma posse da Presidência da República para abdicar da mesma, sete meses mais tarde, alegando "ações de forças ocultas". Assume o vice, João Goulart que, em 31 de março de 1964, sofre um golpe militar, devido às instabilidades política e econômica pelas quais passa o país, e é deposto de seu cargo. Inicia-se um dos períodos mais longos de abstinência eleitoral que conheceu a nossa história. Durante vinte anos, toda uma geração nasce e cresce impedida de comparecer às urnas e decidir quem a representará nas mais diversas instâncias governamentais.

Em 1985, com a lei ordinária 7332/1985, do então governo Sarney, são retomadas as eleições diretas no país, para prefeitos e vereadores, com mandato extraordinário de três anos nessa versão, depois do longo jejum eleitoral.

O presente

De lá para cá, sempre que necessário, o que se vê de norte a sul é o eleitor enfrentando sol e chuva, cruzando rios, caminhando sob o abrasivo sol tropical, não abrindo mão do privilégio conquistado. O recado implícito no gesto é a máxima de Lincoln, contida na própria idéia de democracia: governo do povo, para o povo e feito pelo povo. As eleições vêm aí. E exercer o voto, de maneira consciente, é o direito mais soberano do estado democrático.

Aqui se fala português

4 comentários:

Bertonie JVinee disse...

PRIMEIROOO
Foi no século XIX que o Brasil começou a eleger seus representantes né? Apesar de entre 100 homens, 80 eram escravos, dos 20 que restavam apenas 10 tinham mais de 25 anos, dos 10 que sobravam 6 não tinham renda suficiente, então ficava pouquíssima gente votandoo de verdade.
E pouco depois de conquistarmos o nosso direito de eleitor veio essa tal da Ditadura Militar e só na década de 1980 que voltamos a votar.
Adorei sua reportagem da vez.
xD
abraços

Wander Veroni disse...

Oi, Lê!

Vc sempre na frente, né...hehehe...temos a missão de eleger nossos representantes municipais em outubro e toda vez q toco nesse tema fico angustiado: o Brasil precisa levar seu voto mais a sério.

O horário eleitoral aqui em BH virou um programa de humor, principalmente na parte dos candidatos ao legislativo mineiro. Até o Alberto Coqboy, ex- Big Brother, tá concorrendo aqui, sendo q ele nem é de BH??? Jesus toma conta.

Lê, adorei tudo q vc escreveu!

Bjs,

=]
________________________
http://cafecomnoticias.blogspot.com

Stanley Marques disse...

O interessante é lembrar que muitos eleitores desconsideram a conquista que obtivemos ao longo da nossa história, com inúmeros sacrifícios, dando pouco ou nenhum valor ao voto.

www.antologiaracional.com
passa lá!

GUILHERME PIÃO disse...

Parabéns pelo post.
Só espero que desta vez com a globolização o cidadão VOTE CONSCIENTE...
Pesquise e tente votar o melhor possivel, para não termos que aturar politico ladrão e corrupto, e infelizmente é o que mais temos por aqui.
Abraços

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